26 de agosto de 2025

Conhecendo o Recorte Extremo (ou "intense cropping" se preferir)

Essa semana eu me deparei com uma ideia ou uma “técnica” de recorte extremo de uma fotografia, trazendo uma nova visão, uma nova história e uma nova expressão e composição para uma foto já pronta.

Eu acredito que seja mais uma forma de expressão artística do que uma técnica clássica de fotografia (mesmo assim, posso estar errado).

Gosto de usar essa técnica em uma foto já feita do que clicar uma cena já pensando no recorte extremo. Você pode fazer isto? Sim, você pode fazer o que quiser na sua fotografia, mas acho desnecessário. Eu prefiro usar o recorte extremo para reciclar novas fotos em fotos “velhas”. Talvez, pegar aquela foto que está parada, engavetada empoeirando no seu HD ou nuvem, e trazer à ela uma nova visão, uma nova composição, selecionando um novo recorte para aquele clique.

Todo clique é um recorte do mundo. Toda cena clicada é um pequeno grande recorte de um todo. Mas o recorte extremo pode ser uma oportunidade para uma nova comunicação ou expressão.

Acredito que caia bem em uma construção de projeto específico e original.

Criar um estilo de recorte próprio pode ser uma marca de um fotógrafo, sem medo de quebrar as regras clássicas. Há críticos que vão chamar isso de trabalho de preguiçoso ou abstrato demais, que acaba tirando o conceito da fotografia de documentar e registrar uma realidade à sua frente. Mas, acredito que isso é uma das formas de expressar sua arte e sua visão, é como se fosse uma pessoa que consegue observar algo novo dentro de uma sala, onde ninguém está olhando para aquilo. Ou seja, fotógrafos artistas que ousam nesses recortes podem estar só querendo mostrar algo novo que ninguém está olhando, trazendo então uma nova reflexão de algo ou lugar. Ou simplesmente só querem reciclar aquela foto engavetada, que pra mim, também é muito válido.

Recorte extremo que eu fiz

Na foto a cima está um recorte extremo de uma cena inteira que eu tirei da praia de Santos. Um recorte que eu isolei um canto da foto, trazendo detalhes visuais, texturas evidentes, emoções e narrativas que muitas vezes passam despercebidas.

E abaixo está a foto original.

Foto original do recorte extremo mostrado a cima.


A minha foto original da praia já era bela, porque não tirei ela pensando no recorte extremo e sim construí a composição dela para que ela fosse boa por si só. Porém, por algum motivo, não senti de compartilhar ela, mas ao revê-la nos meus arquivos, decidi aplicar o recorte extremo pra ver o que poderia extrair de novo dessa foto e gostei muito do resultado.

Em tempos de redes sociais saturadas por padrões visuais repetitivos — filtros, proporções perfeitas, montagens padronizadas — recortes ousados oferecem uma alternativa refrescante. Em vez de buscar a perfeição técnica ou repetir fórmulas consolidadas, o recorte extremo encoraja a inspiração criativa, encontrando novas histórias em fotos já feitas e traz uma subversão da vaidade visual que é encontrada nos feeds.

Nem toda fotografia precisa ser compartilhada, as vezes só vale o sentimento de ter fotografado aquela cena e vivido aquele momento, do que necessariamente compartilhar tudo. Mas, toda fotografia em algum momento merece uma segunda chance de ser observada de novo e reconstruída se possível, trazendo à ela, um novo sentimento.

Experimente pegar aquela foto antiga que está guardada nos seus arquivos e dar uma nova visão pra ela.

Eu fico por aqui. Obrigado.

6 de julho de 2022

Vamos falar sobre Zines e por que você deveria criar um

Zine do Greg Kletsel

Quero mostrar os primeiros passos do meu primeiro zine que estou fazendo. Ainda tenho muito o que fazer, estou na etapa analógica da coisa, com papel, lápis e canetas, pra depois partir para o digital, arrumar alguns erros e diagramar.

Mas, antes de mostrar… primeiro, o que é um zine?

Vou resumir bem o assunto. Zine é um livro auto-publicado. É como uma pequena revista auto-publicada. O nome é a abreviação de revista no inglês (magazine), então, é como se estivesse no meio entre um livro e uma revista, mas ele não é nem um, e nem o outro de fato.

Ele pode ser sobre qualquer coisa: política, ativismo, arte, fanzines, cultura pop, história, culinária, escrita, literatura, poesia, enfim. Realmente pode ser sobre qualquer coisa que você quiser e essa é a beleza dos zines.

Você pode fazer no seu quarto, imprimi-los em uma impressora em casa ou em uma gráfica, grampear e/ou dobrar. Chame seus amigos, compre uma pizza, compartilhe a experiência da auto-publicação com eles.

Eu acredito que as pessoas ainda gostam de ter algo feito à mão e algo físico, hoje vivemos em um mundo digital onde existe apenas consumidores. Só ficamos deslizando, deslizando e deslizando o dedo. É algo temporário. Mas um zine é algo físico. Você pode ter uma pequena coleção de zines.

Zines são trabalhos de amor. São coisas com as quais as pessoas querem compartilhar um pouco de seu mundo com você. Elas querem comunicar algo; suas experiências, suas paixões, suas histórias e ideias com você.

Você pode começar com uma pequena ideia que você compartilhou no seu Instagram mas daí você percebe que tem potencial aquela ideia, então você pensa “hmm…eu posso ver isso como uma série…” e então, você faz outra imagem e depois faz outra e diz: “Isso poderia virar uma pequena coleção” daí você pode colocá-los juntos em um pequeno livro ou coisa do tipo. Isso é zine!

Faça por diversão, torne-o o mais barato possível, o mais acessível possível. Digamos que você faça 100 cópias, vá e distribua, venda, faça um pequeno site, coloque em sua loja ou coisa do tipo.

Posso dizer que quando você faz isso, você aprende algo sobre si mesmo, e isso é algo para levar com você para o próximo projeto, para o próximo trabalho que você fizer.

Zine de Greg Kletsel

No meu caso, voltar a fazer projetos físicos com as próprias mãos realmente tem me feito a aprender algo sobre mim mesmo, tenho me conhecido real, quais são os meus traços que realmente comunicam o que eu quero, quais são os meus limites e etc… porque estou evitando a sindrome da perfeição em minha criação por causa do digital que me vicia usar sempre o CLTR Z, e aprendo que um pouco de imperfeição também pode compor a obra e me tirar da zona de cobrança de perfeição demais, me deixando estressado e desmotivado… e tenho gostado disso, tenho me conhecido novamente.


*Alguns trechos da explicação sobre o que é zine foi retirado e adaptado de um vídeo sobre zines do Greg Kletsel para me ajudar na explicação de forma fácil. Greg é o ilustrador que mais tem me inspirado nos últimos meses.