980 km

Andei. Fui até ao conhecido e desconhecido lugar. Passei horas com fone de ouvido, escutando as letras que traziam-me paz, coragem e outras também de sentido inexistente, onde apenas ouvia-as. A madrugada me consumia, ansiedade tomava conta à ponto de querer correr mais rápido que as rodas do ônibus, mas então eu dormi e houve silêncio.

[ ... ]

Primeiro de Novembro de dois mil e doze, às 18h e pouco chego em Cascavel: um município brasileiro localizado na região oeste estado do Paraná, do qual é o quinto mais populoso, com 292.372 habitantes. - sim, usei o Google -




Foi neste lugar que meu ônibus estacionou junto com minha ansiedade. Eu sabia que seriam poucos dias, mas estava disposto a fazer desses dias, dias marcantes pelo simples fato deles existirem, e não por esperar algo surpreso ou grandioso. 
Pensando depois, percebi que vive sozinho, aquele que quer viver sozinho, porque os poucos dias que fiquei por ali, conheci pessoas e pessoas, admirei e conversei, dei risada e nasceu amigos.
Tomei chuva na cabeça, por falta de guarda-chuva, mas se tivesse algum em mãos, talvez eu nem teria lembrança de que naquele dia choveu, ou da correria pro ponto de ônibus pra fugir da chuva - que bom aquilo! -.
Fizemos almoço, sujamos e jogamos a responsabilidade de lavar louça em cima um do outro - mentira, jogaram só nas minhas costas -, usei avental, pano de prato e me molhei. Andei de ônibus municipal, entrei no terminal e corri pra pegar outro ônibus enquanto esbarrava numa senhora quase derrubando-a. A galera me olhava como se soubesse que eu não era dali, eu achava engraçado e encarava. 
Teve momento de assistir Dr. House também na Tevê. Momentos de zoar um com o outro com seus "defeitos", mas no fundo - ou no topo mesmo - é tudo demonstração de amor e intimidade. Acordei cedo pra tomar Chimarrão em família, onde até então, eu nunca tinha tomado, e tomei 5 cuias... acho que gostei, né? 




Na família existia união, amor, sinceridade e cuidado, e também uma avó linda, atenciosa e com muitas histórias vividas pra contar.
Dizem que a música é expressão da alma, e, na minha última noite tive minha alma expressada através da música cantada à Deus em congregação. Foi ótimo, me senti novo, senti que em qualquer lugar que estejamos, podemos obter novas experiências. E eu tive ali. Expressei minha alma.




Como sempre, tem o momento de saída a noite pra comer e falar mais besteiras misturadas com vômitos de risadas. Bom, nesse dia eu estava um pouco mais no meu mundinho, em silêncio, mas conseguia observá-los, e talvez eles estavam melhores do que eu, mas não vem ao caso o porque.
Não pretendo prolongar mais esse texto, pois há sentimentos e momentos que melhor estará se ficar apenas comigo mesmo e com quem as viveu também. E as pequenas histórias contadas aqui, não foram vividas nessa ordem, está totalmente aleatório.
Mas, foi ótimo essa experiência, esse novo ar, novo sol, novos amores, tudo novo. Altas risadas, olhares, brincadeiras, carinhos, música, planos e etc...
Valeu a pena ter andado esses 980 km, mesmo que escondido, houve momento em um dia muito breve de choro meu, mas houve também amor, houve vida, sorriso, amizade, abraço... e as protagonistas e responsáveis por fazerem esses meus 4 dias serem vividos, marcados e melhores, se chamam Ana Luiza ( Anis ), Ronize (♥) e seus - agora meus também - amigos.



Não tem como esconder, por mais que o tempo passe e diga não, sempre lembrarei e espero continuar vivendo eternamente essas lembranças e outras em minha mente e coração. Nunca vou esquecer dessa estrada, das curvas no asfalto, da vista limitada da janela do ônibus pro campo passando rápido enquanto as rodas giravam em direção a tudo isso. Impossível esquecer, pois, em 980 km de distante, existe 980 km de amor, e eis que você estava lá do meu lado. Foi bonitinho.








~Vídeo "Existe amor em Cascavel", em breve!~

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